O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta segunda-feira da cúpula do G7, realizada em Évian, na França, e fez discurso em que exigiu que o combate internacional ao crime organizado deve "respeitar a soberania" dos países, segundo o UOL Economia. Lula também criticou o unilateralismo — sem, contudo, nomear o presidente americano Donald Trump ou o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A omissão é politicamente carregada: Trump estava presente na reunião.
A cautela retórica contrasta com o diagnóstico que analistas fazem da viagem. Segundo a CNN Brasil, Lula chegou ao G7 com "Estados Unidos e Trump na mira", em contexto de tensões comerciais que pressionam a relação bilateral. Escolher não nomear o interlocutor mais poderoso da sala — diante dele — pode ser lido como habilidade diplomática ou como recuo calculado. A distinção dependerá dos resultados concretos que Brasília conseguir extrair nas próximas semanas.
Além do discurso sobre soberania, Lula também fez críticas à fortuna de Elon Musk, segundo o título da reportagem do UOL — detalhe que, somado ao ataque ao unilateralismo, compõe um painel de resistência simbólica ao alinhamento com Washington, sem traduzir isso em ruptura declarada.
Apesar das fricções, a dinâmica em Évian produziu ao menos uma imagem de convivência protocolada: Trump e Lula apareceram juntos na "foto de família" da cúpula, ao lado de Emmanuel Macron (França), Giorgia Meloni (Itália), Mark Carney (Canadá), Sanae Takaichi (Japão) e Friedrich Merz (Alemanha), entre outros líderes, conforme o G1. A fotografia não dissolve divergências, mas confirma que o canal diplomático permanece aberto — o que, em si, já tem valor para Brasília.
Lula também se encontrou com Macron nas margens da cúpula, e uma reunião com Trump ainda estava sendo negociada, de acordo com a CNN Brasil. O próprio processo de agendamento expõe a assimetria da relação: enquanto Washington define sua agenda com quem desejar, o Brasil aguarda confirmação para um encontro que pode moldar o tom comercial dos próximos trimestres.
Para o empresariado brasileiro exposto ao mercado americano — e para um Tesouro Nacional sensível a qualquer deterioração nas contas externas —, o discurso cifrado de Lula entrega pouco além de sinalização política. O tarifaço americano, referenciado em silêncio no palanque de Évian, segue produzindo efeitos reais independentemente da retórica adotada.
