No G7 realizado na França, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump deixarão a cúpula sem realizar uma reunião bilateral formal — desfecho que sintetiza o estado atual da relação entre Brasil e Estados Unidos: cordialidade protocolar na superfície, tensões estruturais por baixo.
Trump cumprimentou Lula durante a cúpula e disse "bom trabalho", conforme registrado em vídeo divulgado pela CNN Brasil. O gesto, contudo, não se converteu em agenda diplomática. Nenhum dos dois líderes buscou o encontro formal; nenhum dos dois o propôs.
O custo mais imediato dessa frieza recai sobre o setor exportador brasileiro. A principal pendência bilateral — as tarifas americanas — permanece sem solução negociada. Segundo a CNN Brasil, Lula demonstrou insatisfação com as medidas adotadas pelos Estados Unidos, mas optou por uma postura de espera: disse que telefonará para Trump caso as negociações em andamento "não derem em nada". A estratégia adia o enfrentamento, mas não resolve a incerteza para empresas com exposição ao mercado americano. Não há prazo nem meta anunciada.
Ao lado da disputa tarifária, surgiu um novo complicador: os Estados Unidos classificaram o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, segundo a CNN Brasil. A designação cria implicações jurídicas e de política externa que pressionam Brasília a definir posição — ou a explicar a ausência dela.
O tom político tampouco ajudou. No G7, Lula declarou que Trump não pode "se meter nas eleições do Brasil", elevando a fricção para além do campo econômico. Trump, por sua vez, qualificou o Brasil de "politicamente difícil" — avaliação que, partindo do líder da maior economia do mundo, é menos elogio do que diagnóstico de parceiro problemático.
O resultado da cúpula é uma relação gerenciada pela contenção de danos. A ausência de reunião bilateral não é detalhe protocolar: indica o grau de prioridade — baixo, de ambos os lados — que cada governo atribui ao outro neste momento. Para o Brasil, que depende de condições favoráveis de acesso ao mercado americano, a conta da inércia diplomática se acumula a cada semana sem acordo.
