O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira, 16 de junho, que espera formalizar a abertura de negociações comerciais entre o Mercosul e o Japão até o fim do mês. O anúncio ocorreria na próxima reunião de cúpula do bloco sul-americano, agendada para 30 de junho, no Paraguai. A afirmação foi feita durante encontro bilateral com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, à margem do G7, na França.

A sinalização com Tóquio representa um movimento diplomaticamente relevante para o Mercosul, bloco historicamente lento em fechar acordos comerciais externos. O Japão é a quarta maior economia do mundo e um ator estratégico na região Indo-Pacífico — aproximações nessa direção têm interesse geopolítico além do comercial. Ainda assim, cabe cautela: a fonte disponível registra apenas a expectativa de Lula de anunciar negociações, não a confirmação de que um acordo foi firmado ou sequer que o Japão confirmou publicamente o mesmo calendário.

O cenário no G7, porém, ofereceu um contraste politicamente inconveniente: no mesmo dia, o presidente norte-americano Donald Trump ignorou Lula durante evento da cúpula, segundo a Revista Oeste. A leitura geopolítica não é trivial. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial individual do Brasil, e qualquer distanciamento com Washington — real ou simbólico — tem peso econômico e negocial que uma aproximação com Tóquio não compensa de imediato.

Para o Mercosul, a possibilidade de avançar em negociações com o Japão seria bem-vinda após anos de críticas sobre a paralisia do bloco em agenda externa. O acordo com a União Europeia, negociado por décadas, ainda aguarda ratificação plena — o que coloca em perspectiva o otimismo presidencial sobre um novo front diplomático. Promessas de abertura de negociações têm ritmo próprio; resultados concretos dependem de vontade política sustentada e de concessões que, no passado, emperraram processos semelhantes.

O encontro de 30 de junho no Paraguai será o teste imediato da afirmação de Lula. Se a abertura formal de negociações com o Japão for anunciada como previsto, o episódio marcará um avanço real na agenda comercial do bloco. Se não, o momento no G7 ficará reduzido ao registro de uma expectativa presidencial não cumprida — e ao constrangimento com Trump como pano de fundo.