A expectativa predominante no mercado financeiro mudou de rumo: a maioria dos analistas agora projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompa o ciclo de redução da taxa Selic na reunião desta semana. A cotação do dólar operava em alta e o Ibovespa em baixa, refletindo o ajuste de expectativas, enquanto no mercado de juros futuros a taxa DI para o início de 2027 já negociava ligeiramente abaixo da taxa básica atual de 14,5% ao ano.
O otimismo anterior deu lugar à cautela devido ao cenário fiscal. Segundo a Anbima, os principais economistas revisaram para cima suas projeções para juros, inflação e crescimento, justamente porque o governo está acelerando seus gastos. Em resposta a esse movimento, a instituição avalia que o Banco Central será forçado a reforçar o "freio" na política de cortes da Selic para conter os riscos inflacionários emergentes.
Instituições financeiras específicas já ajustaram suas bússolas para o novo cenário. O HSBC, por exemplo, mudou sua rota de previsão e agora estima que a taxa Selic se mantenha patamar em 14,25% até o início de 2027. Embora o banco ainda veja espaço para um corte isolado de 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (17), a avaliação é de que o aumento dos riscos inflacionários deve impedir novos recuos nos próximos encontros do comitê.
