O mercado financeiro elevou sua projeção para a inflação e passou a estimar que a taxa Selic alcance 14% ao ano em 2026. O movimento reflete um cenário de preços mais pressionados, exigindo uma resposta mais dura da política monetária brasileira nos próximos anos para conter a perda do poder de compra da população.

O ambiente global também contribui para a pressão sobre os juros. A ata do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, indica que os formuladores de política monetária concordam que algum aperto adicional seria justificado caso a inflação permaneça elevada por lá. Os dirigentes mantiveram os juros americanos entre 3,5% e 3,75%, mas demonstraram preocupação com a persistência dos preços, impulsionada por custos de energia, tarifas e investimentos em inteligência artificial.

No front doméstico, a estrutura de crédito enfrenta desafios além da taxa básica. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, alertou que os títulos de renda fixa isentos de Imposto de Renda criam uma distorção prejudicial a todo o mercado de captação de recursos via emissão de papéis. Segundo o gestor, essa configuração acaba por prejudicar todos os agentes econômicos, complicando o financiamento da dívida e o acesso ao crédito.