O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella e do policial militar Antônio Gomes da Silva Neto, presos em flagrante durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Canella, pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, foi detido na última terça-feira (7) após agentes encontrarem um fuzil em seu carro. A decisão de Moraes, porém, condiciona a liberação ao esclarecimento sobre a origem e posse da arma, conforme fontes do tribunal.
A operação, que investiga supostos desvios em contratos públicos no Rio de Janeiro, resultou na prisão de Canella e do PM, ambos vinculados à gestão do ex-prefeito. O fuzil apreendido — um AR-15, segundo registros da PF — foi o elemento central para a manutenção da prisão em flagrante, sob alegação de porte ilegal de arma de uso restrito. A defesa de Canella argumentou que a arma pertencia ao policial, que estava no veículo como segurança, mas o caso segue sob análise do STF.
A soltura não encerra o processo, e a procuradoria ainda pode apresentar denúncia contra os envolvidos. Canella, que disputaria o Senado pelo União Brasil, teve sua pré-candidatura abalada pela prisão, mas a legislação eleitoral não impede a manutenção do registro caso não haja condenação transitada em julgado. O caso reforça o papel do STF no controle de prisões em contexto eleitoral, especialmente em operações que envolvem figuras políticas.
A defesa de Canella não se manifestou publicamente sobre os próximos passos, mas a decisão de Moraes sinaliza que o mérito da acusação será avaliado em liberdade, sem prejuízo das investigações. A PF segue apurando os contratos suspeitos, enquanto o União Brasil ainda não se pronunciou sobre eventual substituição do pré-candidato.
