O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, reuniu-se nesta quarta-feira (8) com Elbridge Colby, subsecretário de Defesa dos EUA para Assuntos de Política, para tratar de cooperação bilateral no combate ao narcotráfico. A conversa ocorre após o governo de Donald Trump classificar o Comando Vermelho (CV) e o PCC como organizações terroristas, decisão que abriu caminho para possíveis ações conjuntas entre os países. Segundo nota do Ministério da Defesa, o encontro abordou estratégias de enfrentamento às facções, apurou o G1 Política.

A classificação das duas maiores organizações criminosas do Brasil como grupos terroristas pelos EUA foi anunciada em julho e gerou repercussão no governo brasileiro. A medida permite que Washington aplique sanções financeiras e restrições a integrantes das facções, além de facilitar a cooperação internacional em investigações. O encontro entre Múcio e Colby sinaliza interesse mútuo em aprofundar a parceria, especialmente em temas como inteligência e repressão ao tráfico transnacional.

O Ministério da Defesa destacou que a reunião reforça o alinhamento entre os países no combate ao crime organizado, mas não detalhou medidas concretas. A pauta também incluiu discussões sobre segurança regional, com foco na América do Sul, onde o PCC e o CV têm atuação consolidada.

Por que importa: A classificação do CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA amplia as ferramentas de pressão internacional contra as facções, que já operam em escala global, com rotas de tráfico na Europa e África. O Brasil, que historicamente evita rotular grupos criminosos como terroristas para não atrair sanções desproporcionais, agora enfrenta pressão para adotar medidas mais duras. A aproximação com os EUA pode resultar em maior compartilhamento de inteligência e apoio logístico, mas também levanta debates sobre soberania e os limites da cooperação militar.