Fala-se muito em espírito empreendedor brasileiro, e ele de fato existe — visível na quantidade de pequenos negócios que surgem todos os anos. O que se discute menos é o ambiente em que esse empreendedor opera, e o conjunto de custos invisíveis que ele enfrenta apenas por existir formalmente. Esses custos não aparecem no balanço com nome próprio, mas determinam quem sobrevive e quem fecha.

O primeiro custo é o de complexidade tributária. O problema do empreendedor brasileiro raramente é só a alíquota; é a quantidade de tributos, obrigações acessórias, declarações e regimes diferentes que ele precisa entender ou pagar alguém para entender. Essa complexidade é um imposto regressivo disfarçado: a grande empresa dilui o custo de um departamento fiscal entre milhões em faturamento; o pequeno negócio paga o contador com uma fatia muito maior da sua margem. A burocracia não é neutra — ela protege o grande e pune o pequeno.

O segundo é o custo da insegurança jurídica. Regras que mudam, interpretações que oscilam, decisões que surpreendem: tudo isso obriga o empreendedor a embutir um prêmio de risco em cada decisão de investimento. Capital é covarde por natureza — vai para onde as regras são previsíveis. Onde a regra de amanhã é incerta, o investimento de hoje é menor, e quem perde é o emprego que não foi criado.

O terceiro é o custo de sair. Um ambiente saudável de negócios precisa não só facilitar a abertura de empresas, mas também o encerramento ordenado das que não deram certo. Quando fechar uma empresa é um processo longo, caro e estigmatizante, o empreendedor que fracassou — algo normal e até esperado em qualquer economia dinâmica — fica preso a uma estrutura morta em vez de recomeçar. Economia que pune o fracasso honesto desestimula a tentativa.

A lente liberal aqui não pede favor nem subsídio para o empreendedor. Pede algo mais barato para o Estado e mais valioso para o país: que ele saia do caminho. Simplificar tributos, estabilizar regras, digitalizar processos, reduzir exigências redundantes — nada disso custa ao Tesouro; ao contrário, amplia a base de quem produz e arrecada.

O melhor programa de fomento ao empreendedorismo não é uma linha de crédito subsidiada nem um edital. É um ambiente em que abrir, operar e, se necessário, fechar uma empresa seja simples, previsível e barato. O empreendedor brasileiro não precisa de ajuda do Estado. Precisa, na maior parte do tempo, que o Estado pese menos.