Genebra, 18 de maio de 2026 — O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros líderes da ONU afirmaram que os recentes surtos de hantavírus e ebola estão diretamente ligados aos cortes de financiamento que afetam a organização. A declaração foi feita na abertura da assembleia anual da OMS, que reuniu ministros da saúde de todo o mundo em meio a um cenário de crescente instabilidade sanitária global.

Dois surtos simultâneos dominam a agenda

A reunião foi marcada por preocupação com dois eventos simultâneos: um surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), que se estende também para Uganda, e um incomum surto de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro, que chamou a atenção mundial nas últimas semanas.

Embora o caso do cruzeiro não esteja oficialmente na pauta da assembleia, a expectativa é de que o tema ocupe lugar de destaque nos debates, ao lado da situação no Congo. Autoridades sanitárias da RDC e de Uganda trabalham em ritmo acelerado para conter a disseminação do ebola.

Retiradas dos EUA e da Argentina agravam crise institucional

A assembleia ocorre também sob a sombra das retiradas anunciadas pelos Estados Unidos e pela Argentina da OMS, movimentos que ampliam a incerteza sobre a capacidade de resposta da organização a emergências de saúde pública. Os cortes de financiamento enfraquecem estruturas essenciais de vigilância e resposta rápida, segundo a avaliação da liderança da OMS.

Mundo "menos resiliente" a pandemias, alerta relatório

O Conselho de Monitoramento da Preparação Global (GPMB, na sigla em inglês) divulgou relatório advertindo que o mundo está se tornando menos resiliente a surtos de doenças infecciosas. Especialistas afirmam que episódios como os do hantavírus e do ebola tendem a se tornar mais frequentes e mais devastadores — uma tendência que coloca em xeque décadas de avanços em saúde global.