O ouro encerrou a sessão desta terça-feira (16) em leve alta, mantendo a sequência positiva iniciada nas duas sessões anteriores. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato de agosto do metal precioso avançou 0,06%, fechando a US$ 4.354,40 por onça-troy, segundo dados do Money Times.

A valorização, ainda que modesta em termos percentuais, carrega peso simbólico relevante: a terceira alta consecutiva em um patamar acima de US$ 4.300 por onça-troy sinaliza que o mercado ainda encontra motivos para buscar proteção no ativo historicamente mais associado à aversão ao risco.

Dois fatores dominaram o radar dos investidores na sessão: as expectativas em torno da eventual assinatura de um acordo entre Estados Unidos e Irã, e o posicionamento do Federal Reserve. O par diplomacia-política monetária raramente combina de forma neutra para os mercados de commodities — e no caso do ouro, a ambiguidade tende a favorecer a manutenção de posições, não o desmonte delas.

A prata seguiu trajetória oposta. O contrato para julho recuou 0,24%, encerrando a US$ 70,013 por onça-troy. A divergência entre os dois metais não é incomum em sessões de incerteza: o ouro cumpre função de reserva de valor, ao passo que a prata carrega componente industrial que a torna mais sensível a expectativas de crescimento econômico.

Vale observar que o nível atual do ouro — em torno de US$ 4.354 por onça-troy — reflete uma trajetória de valorização significativa nos últimos meses, impulsionada por combinação de tensões geopolíticas, incerteza sobre os juros nos Estados Unidos e demanda de bancos centrais por diversificação de reservas. O acordo EUA-Irã, se concretizado, poderia alterar o cálculo de risco da região do Oriente Médio e, consequentemente, reduzir parte do prêmio geopolítico embutido no preço do metal.

O Federal Reserve permanece como variável central. Qualquer sinalização de manutenção de juros elevados por mais tempo tende a pressionar o ouro — que não paga rendimento — enquanto cortes antecipados poderiam ampliar os ganhos recentes. O mercado aguarda.