O ouro operou em faixa estreita nesta sessão, refletindo a cautela dos investidores diante de dois vetores conflitantes: os recentes ataques aéreos dos Estados Unidos no Irã e a incerteza sobre o cronograma de corte de juros pelo Federal Reserve. Segundo analistas da Bloomberg, a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio reacendeu preocupações com um possível repique nos preços da energia, o que poderia manter a inflação persistentemente elevada e adiar o início do ciclo de afrouxamento monetário nos EUA.

O metal, tradicional refúgio em cenários de risco, não registrou movimentos bruscos, mas negociava próximo à estabilidade, à espera de novos sinais da autoridade monetária americana. A ata da última reunião do Fed, divulgada nesta quarta-feira, não trouxe surpresas, mas reforçou a dependência dos dados econômicos para as próximas decisões. "Investidores estão precificando uma probabilidade menor de corte de juros em junho", destacou um estrategista citado pela fonte.

A dinâmica dos juros reais nos EUA continua sendo um fator-chave para o ouro, que não rende juros. Com os rendimentos dos Treasuries ainda pressionados pela resiliência da economia americana, o apetite pelo metal precioso permanece contido. A Bloomberg ressalta que, embora o ouro tenha acumulado alta de cerca de 13% no ano, o cenário para os próximos meses depende da trajetória da inflação e da resposta do Fed às tensões geopolíticas.