O ouro ultrapassou os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) para se tornar o principal ativo de reservas em nível global, segundo dados divulgados pelo Banco Central Europeu (BCE). A instituição atribui essa inversão de posição às avaliações mais elevadas do metal precioso e ao seu crescente apelo como proteção contra riscos geopolíticos, sinalizando uma mudança significativa na composição das reservas internacionais mantidas por bancos centrais.

Nesse contexto de migração para ativos tangíveis, a China figura entre os maiores compradores de ouro do mundo. De acordo com o BCE, a segunda maior economia global adquiriu mais de 350 toneladas do metal. O movimento chinês reflete uma tendência mais ampla de diversificação de portfólio por parte das autoridades monetárias, que buscam reduzir a exposição a ativos denominados em dólar em favor da segurança oferecida pelo bullion.

A análise do BCE destaca que a demanda institucional pelo ouro não é isolada, mas parte de uma reconfiguração estratégica das reservas globais. Ao superar os Treasuries americanos, o ouro consolida seu status como o ativo de reserva predominante, impulsionado pela incerteza no cenário internacional e pela busca de bancos centrais por instrumentos que sirvam como hedge eficaz contra volatilidades políticas e econômicas.