Os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, divulgados nesta sexta-feira (5), surpreenderam positivamente e alteraram a percepção dos investidores sobre a política monetária americana. O relatório de Payroll indicou a criação de 172 mil vagas em maio, número muito superior à expectativa do mercado, que era de 88 mil empregos. Essa força além do esperado no setor de trabalho reforçou a visão de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, terá menos margem para iniciar um ciclo de cortes de juros nos próximos meses.

A reação imediata nos mercados financeiros foi de aversão ao risco. Em Wall Street, os principais índices operaram em tom negativo, com destaque para a Nasdaq, que registrou queda de 3%, configurando sua pior sessão do ano. O S&P 500 também recuou, zerando os ganhos anteriores. Analistas passaram a precificar a possibilidade de alta de juros pelo Fed, com projeções indicando que a taxa americana deve subir até o final do ano, elevando as chances de um aumento de ao menos 0,25 ponto percentual.

No Brasil, o impacto foi sentido diretamente na bolsa e no câmbio. O Ibovespa acompanhou o movimento negativo de Wall Street, perdendo quase R$ 800 bilhões em valor de mercado após ter atingido uma máxima histórica recentemente. A correção foi impulsionada pela saída de estrangeiros e pela mudança no radar dos juros americanos. Simultaneamente, o dólar disparou no mercado à vista, superando a casa dos R$ 5,17 por volta das 13h30, refletindo a valorização da moeda americana diante do endurecimento esperado na política monetária dos EUA.