O mercado financeiro global acordou mais cauteloso nesta sexta-feira (5) depois que os Estados Unidos divulgaram um payroll (relatório de emprego) surpreendentemente forte em maio. Foram criadas 172 mil vagas, acima do esperado, sinalizando que a economia americana segue aquecida. O dado reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) terá pouco espaço para cortar juros no curto prazo, mantendo a taxa básica em patamares elevados por mais tempo.

No Brasil, o impacto foi imediato. O dólar disparou 1,08% e bateu R$ 5,12, maior cotação desde o início de abril. A alta da moeda americana pressiona a inflação doméstica e reduz as apostas de novos cortes na Selic, a taxa básica de juros brasileira. A curva de juros futuros já precifica o fim do ciclo de redução da Selic, com projeções de que a taxa termine 2026 em 13,75%, acima dos 13,25% estimados anteriormente.

Enquanto investidores reavaliam cenários, a bolsa brasileira sentiu o baque. O Ibovespa, principal índice da B3, recuava 0,11% no início da tarde, aos 170.142 pontos. A cautela reflete a expectativa de juros mais altos por mais tempo nos EUA, o que tende a atrair capital para ativos americanos e enfraquecer moedas emergentes como o real.

Do lado do governo americano, a visão é menos pessimista. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, afirmou que o Fed não deve elevar juros e pode até ganhar espaço para cortá-los nos próximos meses, apesar do payroll forte. Para ele, o banco central tem margem para observar a evolução dos preços antes de decidir mudanças na política monetária. A divergência entre mercado e governo mantém a volatilidade elevada.