O mercado financeiro brasileiro amanheceu sob forte pressão nesta sexta-feira (5) depois que dados robustos de emprego nos Estados Unidos — o chamado payroll — reacenderam o temor de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros americanos mais altos por mais tempo. O impacto foi imediato: o dólar disparou quase 2% e fechou a R$ 5,15, enquanto os juros futuros brasileiros saltaram mais de 40 pontos-base, atingindo o maior patamar em mais de um ano.
A alta dos juros futuros reflete a expectativa de que o ciclo de cortes da Selic no Brasil possa ser interrompido ou até revertido. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025, por exemplo, subiu para 10,50% ao ano, sinalizando que o mercado já precifica uma Selic mais alta no futuro. Isso significa que empréstimos, financiamentos e investimentos em renda fixa podem ficar mais caros para o consumidor brasileiro.
A bolsa não escapou do vendaval. O Ibovespa caiu 0,77%, fechando abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro, e acumulou perda de 2,74% na semana — a pior desde abril. Com isso, o índice registra a oitava semana consecutiva de quedas, a maior sequência negativa desde o Plano Real, em 1994. No acumulado do período, a perda chega a 14,34%.
A origem da turbulência está nos EUA. O payroll mostrou um mercado de trabalho mais aquecido do que o esperado, aumentando a chance de novas altas de juros por lá ainda neste ano. Com juros mais altos nos EUA, investidores retiram dinheiro de mercados emergentes, como o Brasil, em busca de segurança e rentabilidade maior. O resultado é um dólar mais caro e juros mais altos aqui, apertando o bolso do consumidor e as condições de crédito.
