O Estreito de Ormuz voltou a funcionar como corredor de petróleo. Após o governo dos Estados Unidos suspender o bloqueio naval que restringia a movimentação marítima iraniana, tanqueiros do país atravessaram a via que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico — o canal por onde passa parcela expressiva do petróleo mundial. O Memorando de Entendimento firmado entre Washington e Teerã, segundo a ForexLive, começou a produzir efeitos concretos, com confirmação do Ministério das Relações Exteriores iraniano, citado pela agência estatal ISNA, e respaldo de relatos do canal Al Jazeera.
Os mercados reagiram em linha com o script esperado. O Brent cedeu abaixo de US$ 80 por barril, atingindo a mínima em três meses, à medida que operadores apostavam na retomada dos fluxos pelo estreito, segundo o FT Markets. A queda reflete o prêmio de risco geopolítico embutido no contrato desde o acirramento das tensões — e sua remoção parcial com a extensão do cessar-fogo entre os dois países.
O ponto cego, contudo, é o que o acordo ainda não resolve. Conforme o MarketWatch, o entendimento provisório entre EUA e Irã deixa sem resposta questões concretas sobre o estreito: quanto tempo levará para que produtos além do petróleo cru retomem a circulação. Fertilizantes figuram entre as cargas que permanecem, na prática, retidas. Para países dependentes de importações agrícolas — o Brasil entre eles —, a reabertura parcial do estreito é um alívio incompleto.
A assimetria é reveladora da lógica do acordo: o petróleo, commodity de maior peso geopolítico imediato, abre caminho primeiro. Os demais produtos, incluindo insumos críticos para cadeias alimentares globais, aguardam uma segunda rodada de negociações cujo calendário não foi divulgado. Enquanto isso, o mercado financeiro celebra o recuo do Brent sem precificar a extensão real dos gargalos que persistem a jusante do barril.
