O mercado de petróleo operou em forte queda na sessão desta terça-feira após a circulação de relatos de que o Irã poderia ser autorizado a retomar exportações imediatas de crude como parte de um acordo nuclear em negociação com Washington. O WTI chegou a ceder US$ 4,12 no dia, movimento que reflete a sensibilidade estrutural do mercado à oferta iraniana — estimada em milhões de barris potencialmente represados.

O presidente Donald Trump alimentou a perspectiva ao declarar que o acordo "deve ser bem-sucedido" e afirmar que aguarda rapidez na segunda fase das tratativas. Trump reiterou, contudo, que o Irã jamais possuirá armas nucleares. O sinal político é claro: Washington aposta em cessão econômica — acesso ao mercado de petróleo — como moeda de troca por garantias de não-proliferação. Para os mercados, isso significa oferta adicional a um custo geopolítico ainda indefinido.

O pano de fundo macroeconômico complica o quadro. Os preços de importação dos EUA avançaram 1,9% em maio, quase o dobro da estimativa de 1,0%, sinal de que pressões inflacionárias externas permanecem vivas — ironicamente, uma eventual queda estrutural do petróleo via acordos com Teerã poderia aliviar parcialmente esse vetor. Já os dados do mercado imobiliário apontam desaceleração: os inícios de obras residenciais ficaram em 1,177 milhão de unidades em maio, bem abaixo das 1,430 milhão projetadas pelo consenso, sugerindo que os juros elevados continuam reprimindo a construção.

O cenário converge justamente na semana do FOMC. O Federal Reserve, agora sob o comando de Kevin Warsh, enfrenta o que analistas descrevem como um "campo minado" logo na largada — referência às dificuldades históricas de novos presidentes do banco central norte-americano em suas primeiras decisões. Com importações inflacionadas e habitação em recuo, a margem de manobra é estreita: afrouxar cedo demais reacende inflação; manter juros elevados aprofunda a contração no setor de construção e no consumo.

Wall Street reagiu com vendas moderadas: S&P 500 recuou 0,6% e Nasdaq cedeu 1,1%. A convergência de dados mistos, petróleo volátil e incerteza de política monetária mantém o mercado em modo defensivo até que o Fed sinalize sua trajetória com mais clareza.