O avanço diplomático entre Washington e Teerã, confirmado na última quinta-feira, desencadeou queda expressiva nos preços do petróleo. Com a suspensão do bloqueio naval americano, petroleiros iranianos voltaram a transitar pelo Estreito de Ormuz, e os mercados trataram o movimento como sinal de que o pior do choque de oferta ficou para trás. Os preços do crude estendem perdas e convergem para níveis anteriores ao conflito, segundo o ForexLive.
A leitura do Goldman Sachs é direta: a instituição revisou sua projeção para o Brent a US$ 80 o barril em 2026 e US$ 75 em 2027, incorporando a expectativa de normalização do fluxo pelo estreito nos próximos meses (fonte_3). O movimento reflete o mecanismo que traders já antecipavam — o lado vendedor tinha vantagem estrutural, uma vez que a alta era limitada pelo risco de o Federal Reserve apertar a política monetária em resposta a um choque negativo de oferta e precipitar recessão, ou pelo cenário em que Trump cedesse e fechasse acordo. O segundo cenário se materializou (fonte_2).
No front diplomático, o Irã esclareceu que as negociações nucleares em andamento abordarão enriquecimento de urânio, tamanho dos estoques e as "necessidades nucleares" do país — formulação que preserva margem de manobra para Teerã (fonte_1). O presidente Trump reiterou que o acordo "deve ser bem-sucedido" e que o Irã jamais desenvolverá armas nucleares, mas a inclusão explícita do tema do enriquecimento no escopo das conversas sinaliza que os pontos mais sensíveis ainda estão em aberto.
O alívio geopolítico produziu efeitos colaterais positivos nos dados de confiança europeus: o sentimento econômico da Alemanha melhorou em junho à medida que o conflito EUA-Irã arrefecia (fonte_1). No Japão, o Banco Central elevou a taxa básica a 1% — movimento amplamente esperado — e anunciou pausa na redução do balanço patrimonial a partir de abril de 2027, sinalizando cautela diante de risco de superação da meta de inflação (fonte_3).
Na China, o quadro é ambíguo: a produção industrial de maio avançou 4,5% ao ano, superando a estimativa de 4,2%, mas as vendas no varejo recuaram pela primeira vez desde 2022, e os preços de imóveis mantêm queda de 3,5% ao ano (fonte_3). A combinação reforça a leitura de que a demanda doméstica chinesa segue fraca — fator que, somado à queda do petróleo, alimenta pressão desinflacionária global justamente quando bancos centrais calibram o ritmo de cortes.
