O projeto de construção de um porto em Fiji, anunciado pelo Quadrilateral Security Dialogue (Quad) durante reunião em Nova Délhi na semana passada, reacendeu debates sobre a capacidade do bloco — formado por Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos — de concretizar iniciativas de longo prazo na região do Pacífico. Segundo analistas consultados pelo South China Morning Post, a proposta é interpretada como um movimento para contrabalançar a crescente influência econômica da China na área, mas a falta de clareza sobre prazos e prioridades dos membros alimenta dúvidas sobre sua viabilidade.
A iniciativa surge em um contexto de competição estratégica no Pacífico, onde Pequim tem expandido laços comerciais e investimentos em infraestrutura, como parte de sua iniciativa Belt and Road. O Quad, por sua vez, tem buscado reforçar sua presença na região com promessas de cooperação em segurança marítima, conectividade e desenvolvimento sustentável. No entanto, divergências internas sobre agendas políticas e econômicas entre os quatro países levantam questionamentos sobre a disposição de cada um em alocar recursos para o projeto.
Durante o encontro em Nova Délhi, os ministros das Relações Exteriores dos quatro países — Penny Wong (Austrália), S. Jaishankar (Índia), Toshimitsu Motegi (Japão) e o secretário de Estado dos EUA — não apresentaram detalhes sobre cronogramas, fontes de financiamento ou mecanismos de governança para o porto em Fiji. A ausência de um plano concreto reforça o ceticismo de observadores, que apontam um histórico de promessas não cumpridas pelo bloco em outras áreas, como a distribuição de vacinas contra a Covid-19.
A proposta do Quad ocorre em meio a um cenário de crescente polarização geopolítica no Indo-Pacífico, onde a rivalidade entre China e Estados Unidos tem moldado alianças e investimentos. Enquanto Fiji e outras nações insulares do Pacífico buscam diversificar parcerias para evitar dependência excessiva de um único ator, a efetividade do Quad em traduzir suas intenções em ações concretas permanece sob escrutínio.
