Nordea vê impulso fiscal, mas levanta alertas
Helge J. Pedersen, economista-chefe do Nordea, avalia que o salto nos investimentos militares europeus configura um dos maiores estímulos fiscais da história recente do continente. Segundo Pedersen, o efeito sobre o crescimento econômico deve ser positivo no curto prazo, com maior demanda agregada e ativação de cadeias industriais ligadas ao setor de defesa.
No entanto, o economista adverte que esse ciclo traz consigo riscos de médio prazo ainda a serem precificados pelos mercados — entre eles, o aumento do endividamento soberano e possíveis pressões inflacionárias decorrentes da expansão fiscal.
Empresas industriais sob pressão tripla
Se o rearmamento abre uma janela de oportunidade para parte da indústria europeia, outro lado do setor enfrenta um ambiente consideravelmente mais hostil. Segundo a Bloomberg, as empresas industriais do continente estão sendo pressionadas simultaneamente por três vetores:
- Guerra no Irã, que eleva incertezas geopolíticas e impacta cadeias de suprimento;
- Ameaças tarifárias, que nublam o acesso a mercados externos;
- Ventos contrários cambiais, que corroem margens em operações internacionais.
O conjunto de fatores prejudica especialmente as empresas que vinham apostando no ciclo de investimentos em inteligência artificial como principal motor de crescimento — uma tese que agora encontra resistência crescente.
Contexto global reforça cautela
O quadro europeu se insere em um ambiente global igualmente desafiador. Mesmo onde os dados surpreendem positivamente — como na Tailândia, cujo PIB do primeiro trimestre de 2026 superou as expectativas —, as perspectivas para o ano cheio permanecem inalteradas em função das incertezas decorrentes do conflito no Oriente Médio.
