O Bank of America (BofA) jogou um balde de água fria no otimismo de quem esperava cortes mais agressivos da Selic. Segundo relatório divulgado nesta semana, a taxa básica de juros deve cair apenas uma vez na próxima reunião do Copom, em 17 de junho, e depois ficar estacionada em 14,25% ao ano até dezembro — quase um ponto percentual acima da projeção anterior. A pausa, segundo o banco, será "prolongada" e pode se estender até meados de 2027. Para o bolso do brasileiro, isso significa juros mais altos por mais tempo em tudo: empréstimos, financiamentos e até o cartão de crédito.

A reação do mercado foi imediata. O dólar fechou a semana em R$ 5,15, o maior nível em dois meses, acumulando alta de 2,26% no período. O real foi um dos piores desempenhos entre as moedas emergentes, pressionado pela expectativa de juros altos nos EUA e pela revisão da Selic. Com a moeda americana mais cara, importações ficam mais salgadas — desde eletrônicos até a gasolina —, e a inflação pode dar sinais de vida novamente.

Enquanto isso, a bolsa brasileira sentiu o baque. O Ibovespa fechou a sexta-feira (5) em queda de 0,77%, aos 169.019 pontos, acumulando perda de 2,7% na semana — a maior sequência de perdas semanais desde a pandemia. Investidores estrangeiros estão fugindo do risco, e a combinação de juros altos aqui e lá fora torna ativos de renda fixa mais atraentes do que ações. Para quem tem dinheiro na poupança ou em fundos conservadores, a notícia é boa: os rendimentos sobem. Mas para quem depende de crédito, a conta fica mais pesada.

A decisão do Copom em junho será decisiva. Se confirmar o corte único e sinalizar uma pausa longa, como prevê o BofA, o cenário de juros elevados pode frear o consumo e o crescimento econômico. E com o dólar nas alturas, o Banco Central pode ter menos espaço para manobrar. A pergunta que fica: até quando o brasileiro vai pagar a conta?