O cenário econômico para 2026 ficou mais caro. Segundo projeções do mercado financeiro, a taxa básica de juros, a Selic, pode chegar a 14% ao ano no próximo ano — um patamar que não era visto desde 2016. A estimativa foi revisada para cima após dados recentes indicarem uma inflação mais persistente do que o esperado, pressionando o Banco Central a manter uma política monetária mais restritiva.
Para o consumidor, isso significa juros mais altos em empréstimos, financiamentos e cartões de crédito. Com a Selic elevada, o custo do crédito sobe, encarecendo desde o parcelamento de uma geladeira até o financiamento de um imóvel. Além disso, investimentos em renda fixa, como CDBs e títulos públicos, tendem a render mais, atraindo quem busca segurança, mas afastando recursos de setores produtivos.
A alta dos juros também reflete a desconfiança dos investidores com a trajetória da dívida pública brasileira. Recentemente, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos, sinalizando dificuldade em atrair compradores sem oferecer retornos maiores. Especialistas alertam que, se a inflação não ceder, o BC pode ser forçado a manter a Selic em níveis elevados por mais tempo, freando o crescimento econômico.
O governo estuda mudanças nas regras dos títulos isentos de Imposto de Renda, como as LCIs e LCAs, para reduzir distorções no mercado. A medida, porém, ainda não tem data para sair e depende de negociações no Congresso. Enquanto isso, o bolso do brasileiro segue no centro das preocupações.
