O terminal portuário de Miritituba, no Pará, virou gargalo da safra recorde de soja brasileira. Caminhões carregados com grãos acumulam-se em filas que chegam a 15 km, segundo registros da região, atrasando o escoamento da produção. A cena, incomum para esta época do ano, reflete a pressão de um volume histórico sobre uma infraestrutura já no limite.
A lentidão no descarregamento afeta diretamente o calendário de exportações. Miritituba é um dos principais corredores de escoamento da soja produzida no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, e os atrasos podem comprometer prazos contratuais com compradores internacionais. Produtores e traders relatam preocupação com possíveis perdas financeiras, já que cada dia de espera eleva custos logísticos e reduz a competitividade do grão brasileiro no mercado global.
O problema ocorre em meio a uma colheita que avança abaixo do ritmo esperado. Dados da consultoria Safras & Mercado apontam que apenas 38,2% da área plantada foi colhida até agora, percentual inferior à média histórica e ao registrado no mesmo período do ano passado. A combinação de atraso na colheita e estrangulamento logístico em Miritituba acende um alerta para o setor, que depende de uma janela estreita para escoar a safra antes do início do plantio da segunda safra (safrinha).
A situação expõe a fragilidade da infraestrutura de exportação do Brasil, mesmo em um ano de produção recorde. Especialistas do agronegócio reforçam a necessidade de investimentos em alternativas logísticas, como ferrovias e hidrovias, para evitar que gargalos como esse se repitam e prejudiquem a rentabilidade dos produtores.
