A SpaceX, empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial de Elon Musk, estreia nesta sexta-feira (12) na bolsa de valores com um dos maiores IPOs da história. A oferta pública inicial (OPI) pretende captar até US$ 75 bilhões (R$ 388 bilhões) com a venda de quase 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, segundo fontes. Se confirmado, o valor de mercado da companhia pode chegar a US$ 1,75 trilhão (R$ 8,93 trilhões), superando gigantes como Amazon e Microsoft. Mas o que isso significa para o investidor comum e para a economia global?

A avaliação estratosférica da SpaceX reflete não só o sucesso de seus foguetes reutilizáveis, como a Starship, mas também a aposta em uma economia lunar e espacial. Embora ainda não existam minas ou fábricas fora da Terra, parte do valor da empresa está ancorado na expectativa de que atividades como mineração de asteroides e centros de dados em órbita se tornem realidade. Para os mercados, isso pode atrair capital para setores de alto risco, pressionando juros de outros ativos — especialmente em um cenário onde investidores buscam retornos mais altos que os títulos públicos.

No entanto, os riscos são tão grandes quanto as promessas. A SpaceX nunca divulgou lucros consistentes, e seu modelo depende de contratos com governos (como a NASA) e da expansão da rede de internet via satélite Starlink. Além disso, a volatilidade das ações de empresas de Musk — como a Tesla e o X (ex-Twitter) — mostra que a confiança dos investidores pode oscilar rapidamente. Analistas alertam que o IPO pode aumentar a aversão a risco no curto prazo, elevando juros de empréstimos para startups e empresas menores.

Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante. Se o IPO for bem-sucedido, pode acelerar a corrida por investimentos em tecnologia espacial na América Latina, atraindo fundos que hoje miram EUA e Ásia. Por outro lado, uma eventual queda nas ações da SpaceX poderia resfriar o apetite por ativos de alto risco globalmente, afetando desde bolsas emergentes até o câmbio. O Banco Central dos EUA (Fed) também estará de olho: uma disparada de capital para o setor pode exigir ajustes na política monetária para conter inflação em setores ligados à inovação.