A partir desta quarta-feira (3), todo produto brasileiro vendido para os Estados Unidos vai ficar 12,5 % mais caro. A Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciou sobretaxa de 12,5 % sobre todas as importações vindas do Brasil e de outros 59 países, alegando falha na fiscalização contra trabalho forçado.

Para o bolso do consumidor brasileiro, o efeito é imediato: produtos americanos que dependem de insumos ou componentes brasileiros — como carros, eletrônicos e alimentos industrializados — devem subir de preço nas prateleiras. Além disso, exportadores brasileiros já sinalizam que parte do custo extra será repassada para o mercado interno, pressionando a inflação local.

A decisão americana não especifica quais setores serão mais afetados, mas o agronegócio e a indústria de manufaturados são os principais alvos. O governo brasileiro ainda não divulgou medidas de retaliação ou negociação, mas analistas alertam que a sobretaxa pode reduzir o volume de exportações e, consequentemente, a entrada de dólares no país.

No radar da política monetária, o Banco Central terá mais um fator de pressão inflacionária para monitorar. Se a sobretaxa se mantiver por meses, pode influenciar a decisão do Copom sobre novos cortes na taxa Selic, atualmente em 14,5 % ao ano.