O Banco Central pode estar trabalhando com uma taxa de juros neutra menor do que a realidade. Um estudo dos economistas Stephan Kautz, da EQI Investimentos, e Igor Cadilhac revela que a taxa neutra do Brasil — aquela que equilibra crescimento e inflação sem estimular nem frear a economia — está em torno de 6% ao ano, e não 5%, como o BC usa em suas projeções. A diferença, embora pareça pequena, pode ter impacto direto no seu bolso.
Para o consumidor, isso significa que empréstimos, financiamentos e até o rendimento de investimentos podem ser ajustados para cima no médio prazo. Se o BC subestimar a taxa neutra, a política monetária pode se tornar mais frouxa do que o necessário, elevando a inflação e, consequentemente, os juros cobrados pelos bancos. Quem depende de crédito, como quem está pensando em comprar um carro ou reformar a casa, pode sentir o peso no orçamento.
Já para quem investe, a notícia reforça a necessidade de rever estratégias. Aplicações atreladas à Selic ou ao CDI, por exemplo, podem ter rendimentos maiores se o BC ajustar sua referência para cima. Porém, o cenário também aumenta a pressão sobre o governo para manter as contas públicas sob controle, já que juros mais altos encarecem a dívida pública.
O estudo não indica uma mudança imediata na Selic, mas serve como alerta para o mercado e para o próprio BC. Se confirmada, a revisão da taxa neutra pode levar a uma política monetária mais restritiva, com juros básicos mais altos por mais tempo. Para o brasileiro comum, isso se traduz em parcelas mais caras e retorno maior em investimentos conservadores.
