O mercado financeiro brasileiro encerrou a sessão desta segunda-feira (18) sob o signo da cautela geopolítica. O dólar à vista (USDBRL) recuou 1,37%, fechando a R$ 4,9985 — de volta ao patamar abaixo de R$ 5 —, enquanto o Ibovespa cedeu 0,17%, encerrando aos 176.975,82 pontos. No campo fiscal, o governo elevou sua projeção de inflação para 2026 de 3,7% para 4,5%, exatamente no teto da meta.
Dólar fraco, mas bolsa não acompanha
A queda da moeda americana refletiu sua fraqueza global diante do noticiário geopolítico no Oriente Médio e de um dado de atividade econômica doméstica mais fraco: o IBC-Br, indicador do Banco Central que serve como prévia do PIB, decepcionou em março.
Apesar do dólar em baixa — cenário que costuma favorecer ativos de risco —, o Ibovespa não conseguiu sustentar terreno positivo. O principal obstáculo foi a Vale (VALE3), cujas ações recuaram 2%, pesando sobre o índice dado o tamanho relevante da mineradora na carteira teórica da bolsa.
Governo revê inflação para o limite da meta
O movimento mais impactante do dia veio do campo fiscal. O Ministério da Fazenda, por meio do Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica, revisou para cima a estimativa oficial de inflação para 2026: de 3,7% para 4,5% — exatamente no teto do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
A justificativa aponta diretamente para o conflito no Oriente Médio. A guerra na região fez o preço do petróleo disparar, com o barril operando nesta segunda-feira acima de US$ 110. O efeito em cadeia sobre os combustíveis domésticos representa o principal vetor de pressão inflacionária identificado pelo governo.
