As tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã dominaram o cenário econômico nesta terça-feira (14), provocando movimentos imediatos nos mercados financeiros brasileiros. Investidores, atentos à escalada de conflitos no Oriente Médio, reagiram com aversão ao risco, o que impulsionou o dólar para a casa dos R$ 5,12. A moeda americana operou em alta, chegando a ser cotada a R$ 5,1243, refletindo a busca por ativos considerados mais seguros em momentos de instabilidade global.
O impacto negativo se estendeu diretamente à bolsa de valores e aos investimentos de longo prazo. Enquanto o dólar subia, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em queda, registrando desvalorização de 0,04% e atingindo a marca de 177.789 pontos no mesmo horário. Paralelamente à volatilidade diária, observa-se um movimento estrutural de fuga de capital: a previdência privada, maior financiadora da dívida pública nacional, deixou de aplicar R$ 80 bilhões em títulos do Tesouro nos últimos 11 meses, preferindo papéis com incentivos fiscais ou livres de Imposto de Renda.
Apesar do clima de incerteza externa, o mercado financeiro ajustou suas expectativas para a inflação doméstica de longo prazo. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, os economistas reduziram a estimativa média para o IPCA em 2026, que passou de 5,30% para 5,16%. Contudo, a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, permanece elevada em 14%, indicando que o custo do dinheiro deve se manter alto para conter pressões de preços, mesmo com a revisão para baixo das expectativas inflacionárias futuras.
