O petróleo deu um salto repentino nesta terça-feira na esteira de declarações do presidente Donald Trump sobre um acordo nuclear com o Irã, antes de devolver os ganhos enquanto o mercado aguardava confirmação de uma assinatura formal. O movimento foi breve e revelador: traders compraram o rumor, mas não encontraram substância suficiente para sustentar a posição.
Na cúpula do G7 na França, Trump afirmou que "o acordo alcançado com o Irã no domingo será assinado em breve, amanhã, talvez no dia seguinte", segundo a Bloomberg. O presidente descreveu o acerto como favorável aos Estados Unidos, destacando que o Estreito de Ormuz — artéria vital do escoamento de petróleo global — será reaberto. "Não estamos dando dinheiro ao Irã", disse Trump, em aparente resposta a comparações com o acordo de 2015, que incluiu desbloqueio de ativos iranianos.
As declarações foram efusivas, mas desorganizadas. Segundo o ForexLive, Trump afirmou que os líderes do G7 "estão entusiasmados com o acordo", que os novos dirigentes iranianos são "inteligentes e muito menos radicalizados" e que "o Irã ia destruir todo o Oriente Médio, incluindo Israel". Sobre Benjamin Netanyahu, disse que o premier "fica um pouco animado às vezes, mas tem sido um bom parceiro". A última noite de negociações foi descrita como "brutal", com US$ 200 milhões em bombas lançadas.
O mercado reagiu ao fluxo de manchetes, mas o recuo foi rápido. O ForexLive reportou rumores sobre uma assinatura remota do memorando de entendimento, ao mesmo tempo em que múltiplos relatos indicavam ausência de qualquer mudança no calendário das conversas na Suíça. A volatilidade refletiu, portanto, incerteza factual — não convicção direcional.
A fratura política em Washington adiciona risco ao processo. O Financial Times relata que críticos de Trump questionam se as concessões feitas a Teerã foram "piores do que as de Obama" e se valeram quatro meses de guerra — enquadramento que o presidente precisará combater no Congresso para qualquer implementação duradoura.
A equação para os mercados permanece binária: acordo assinado e Estreito aberto derrubam o prêmio de risco no petróleo; negociações fracassadas ou condições contestadas domesticamente o restauram. Por ora, a ausência de uma assinatura concreta e a névoa de relatos contraditórios mantêm o cenário em aberto — e os traders, compreensivelmente, na defensiva.
