Donald Trump chegou à cúpula do G7 na França com um anúncio de peso: na segunda-feira passada, segundo suas próprias palavras, os Estados Unidos teriam alcançado um entendimento com o Irã que "realiza tudo o que nos propusemos a conquistar — tudo, e muito mais". A assinatura formal está marcada para sexta-feira em Genebra. O problema é que, dois dias depois, o mesmo presidente admitiu que o texto ainda não existe de forma definitiva.
"O texto não é final; é um memorando de entendimento", declarou Trump em entrevista na quarta-feira, conforme reportado pelo South China Morning Post. A frase seguinte eliminou qualquer ambiguidade sobre a fragilidade do processo: "Se eu não gostar, voltamos a atirar neles, a jogar bombas." Não é exatamente a linguagem de um acordo selado.
O que se sabe sobre o conteúdo é vago. Trump vendeu o entendimento como capaz de encerrar um conflito que ele próprio qualificou de "guerra questionável", reabrir o Estreito de Ormuz — artéria vital para o transporte global de petróleo — e impedir que o Irã "jamais" obtenha uma arma nuclear. Ele chamou o arranjo de uma "parede para o armamento nuclear", segundo a Al Jazeera. Os detalhes do texto, porém, permanecem secretos.
No mesmo palanque do G7, Trump voltou ao passado para atacar Barack Obama, acusando o ex-presidente de ter "subornado" o Irã para firmar o acordo nuclear de 2015 — o JCPOA, que o próprio Trump abandonou em seu primeiro mandato. A acusação serve a um propósito narrativo claro: contrastar o suposto rigor do novo entendimento com a suposta frouxidão do anterior.
A variável mais perigosa, contudo, pode estar em Jerusalém. Análise da Al Jazeera aponta que Israel, cuja postura em relação ao programa nuclear iraniano é de tolerância zero, permanece como ator capaz de inviabilizar qualquer acordo — especialmente enquanto as questões nucleares de fundo seguem sem resolução verificável.
O que Trump tem, por ora, é um memorando de intenções, uma data de assinatura e uma retórica de vitória. Se os termos finais corresponderem à grandiosidade anunciada, será de fato um feito de política externa. Se não, o presidente já avisou qual é o plano B.
