Em Versalhes, durante jantar comemorativo dos 250 anos da independência americana, o presidente Donald Trump anunciou aos repórteres ter assinado um acordo de paz com o Irã. "Está assinado, sim", declarou Trump, conforme relatou The Guardian. A afirmação foi feita em passant, sem que as fontes disponíveis registrassem detalhes sobre os termos do acordo ou confirmação pública iraniana — o que já coloca o anúncio sob escrutínio razoável.

A ambiguidade do gesto diplomático é aprofundada por outra declaração do mesmo dia. Segundo o Al Jazeera, Trump afirmou ser "injusto" que o Irã não possua mísseis balísticos enquanto outros países da região os têm. A posição contraria décadas de política ocidental de não proliferação e levanta questões legítimas sobre o conteúdo real do suposto acordo: um tratado de paz que simultaneamente abre espaço para rearme balístico de Teerã seria, no mínimo, uma ruptura sem precedentes com a arquitetura de segurança do Oriente Médio.

No G7, Trump retomou a ofensiva contra o legado Biden. De acordo com o Fox News, o presidente afirmou que os Estados Unidos podem vir a recuperar aproximadamente US$ 7 bilhões em equipamentos militares abandonados durante a retirada americana do Afeganistão em 2021. A declaração, sem detalhamento operacional, reanima o debate sobre o fiasco logístico da retirada — ao mesmo tempo em que sinaliza que Trump usa o G7 como palanque de diferenciação doméstica, não apenas como foro multilateral.

No front da segurança doméstica, a semana traz uma fricção intrapartidária de peso. O senador republicano Tom Cotton, presidente do comitê de inteligência do Senado, classificou de "lamentável" a decisão de Trump de impedir Jay Clayton de comparecer à audiência de confirmação para diretor nacional de Inteligência. Conforme The Guardian, Trump ordenou pessoalmente que Clayton não se apresentasse ao comitê. O efeito colateral é concreto: o adiamento prolonga a descontinuidade de uma poderosa ferramenta de vigilância americana — cujo funcionamento já estava em compasso de espera.

Por fim, no campo comercial com reflexos geopolíticos, Trump declarou não ser "grande fã" do USMCA, o acordo de livre-comércio com México e Canadá que ele próprio assinou. Segundo The Guardian, os EUA precisam aprovar a renovação do pacto até 1º de julho ou sinalizar intenção de saída — processo que levaria dez anos para se consumar. A declaração, às vésperas do prazo, acrescenta mais uma variável de incerteza a uma semana já repleta delas.