Donald Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian assinaram um Memorando de Entendimento que, segundo ambos os lados, já está em vigor. O documento, conforme o Al Jazeera, estabelece o fim dos combates no Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz — duas das variáveis mais sensíveis da crise regional que marcou os meses anteriores ao acordo.
Altos funcionários americanos leram o texto do memorando a jornalistas, segundo o The Guardian, com ênfase no compromisso iraniano de destruir seu estoque de urânio enriquecido por meio do processo de "downblending". A ressalva oficial, porém, foi imediata: trata-se de "um ponto de partida, não o ponto final". A formulação é diplomaticamente reveladora — Washington reconhece publicamente que a questão nuclear permanece aberta e que o MoU é o primeiro degrau de uma escada cujos andares superiores ainda precisam ser negociados.
Nessa direção, Trump endossou o apelo dos líderes do G7 por conversas mais amplas sobre o programa de mísseis iraniano, conforme o The Guardian. O movimento sugere que as potências ocidentais tratam o memorando como alavanca para uma agenda de segurança mais extensa, não como encerramento definitivo do dossiê iraniano.
O custo político doméstico para Trump, contudo, começa a se acumular antes mesmo de o acordo ser testado. O Fox News reporta que o documento de 14 pontos enfrenta críticas contundentes de aliados conservadores: Mike Pence, Nikki Haley e Marjorie Taylor Greene, entre outros, classificaram o acordo como "rendição americana". A frase que circula no campo conservador — "Trump should renege" (Trump deveria desistir do acordo) — sintetiza a tensão entre o instinto negociador do presidente e a ala que preferia manter a pressão máxima sobre Teerã sem concessões formais.
A reabertura do Estreito de Ormuz figura como a cláusula de efeito mais imediato do memorando. O Estreito é explicitamente mencionado como parte central do acordo (Al Jazeera), e sua normalização representa um dos resultados concretos de curto prazo que Washington pode apresentar como vitória tangível.
A durabilidade do acordo, porém, depende de etapas ainda indefinidas. Se o "downblending" é declaradamente apenas o começo, o que se segue — prazos, mecanismos de verificação, inspeções independentes — permanece sem detalhamento público nas fontes disponíveis. A história dos acordos nucleares com o Irã impõe uma lição persistente: a arquitetura de cumprimento determina tanto o valor real de um tratado quanto o texto que o inaugura.
