O presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que o Estreito de Ormuz, rota vital para cerca de 20% do comércio global de petróleo, deverá estar completamente reaberto até a próxima sexta-feira. A declaração, feita em paralelo ao anúncio de avanços no acordo nuclear com o Irã, impulsionou movimentos nos mercados de energia e câmbio — mas encontrou ceticismo imediato dos aliados europeus, segundo o Bloomberg.

O núcleo do entendimento está registrado em um Memorando de Entendimento (MOU) cujo conteúdo ainda não foi tornado público. Trump garantiu que o documento estabelece de forma inequívoca que o Irã "nunca terá uma arma nuclear" e prometeu divulgar o texto integral em uma coletiva de imprensa nos próximos dias, segundo o ForexLive. A segunda etapa das negociações, disse o presidente, deve avançar "rapidamente".

Trump também sinalizou que considera encaminhar o acordo ao Congresso para revisão — movimento que, se confirmado, representaria uma escolha política deliberada por transparência institucional, dado que tratados executivos não exigem aprovação legislativa. A leitura mais cautelosa é que o gesto busca blindar o acordo de questionamentos jurídicos futuros.

No plano geopolítico mais amplo, o presidente indicou que os Estados Unidos estão em posição de deixar vencer as isenções de sanções ao petróleo russo e de intensificar a pressão econômica sobre Moscou. A declaração sugere que Washington tenta usar a abertura diplomática com Teerã como alavanca para endurecer o cerco à Rússia — uma lógica de realismo geopolítico que, se bem executada, pode reconfigurar fluxos de oferta global de hidrocarbonetos.

O ponto de atrito mais evidente permanece a divergência com os aliados europeus, que segundo o Bloomberg não compartilham o otimismo de Trump quanto à reabertura de Ormuz no prazo anunciado. A distância entre a retórica presidencial americana e a avaliação dos parceiros transatlânticos é, por si só, um fator de risco para os mercados: promessas de cronograma que não se materializam costumam provocar correções abruptas em commodities e moedas de países exportadores de petróleo.