A TV aberta está prestes a dar um salto tecnológico com a chegada da TV 3.0, a nova geração da TV digital brasileira. Segundo o especialista em telecomunicações e broadcast João Alves Gasques, um dos recursos mais aguardados é a sincronização perfeita entre rádio e TV, eliminando o atraso que hoje incomoda quem assiste a jogos ou programas com áudio pelo rádio. "O espectador não vai mais precisar lidar com a diferença de tempo entre as transmissões", explicou Gasques em podcast do Canaltech.

A novidade vai além da correção de atrasos. A TV 3.0 promete transformar a experiência do usuário em algo mais interativo e conectado à internet, com recursos como compras direto pela tela e publicidade personalizada. A ideia é que a TV aberta deixe de ser um meio passivo e se aproxime da dinâmica de um aplicativo, integrando serviços digitais sem perder a gratuidade do sinal.

Para o mercado, a mudança representa uma oportunidade de monetização para emissoras e anunciantes, que poderão explorar novos formatos de engajamento. A tecnologia também deve reduzir barreiras entre plataformas, permitindo que conteúdos de rádio e TV coexistam sem conflitos técnicos. Ainda não há data oficial para a implementação, mas a expectativa é que a transição comece nos próximos anos.

A TV 3.0 é baseada no padrão ATSC 3.0, já adotado em países como Estados Unidos e Coreia do Sul. No Brasil, o projeto está em fase de testes, coordenado por órgãos como a Anatel e o Fórum SBTVD. Se bem-sucedida, a novidade pode redefinir o consumo de mídia no país, aproximando a TV aberta das demandas de um público cada vez mais digital.