Pesquisadores do Instituto Butantan concluíram a fase 3 de testes clínicos de uma nova vacina contra a dengue, demonstrando segurança e eficácia em dose única. Os resultados, publicados em estudo revisado por pares, indicam que o imunizante protege contra os quatro sorotipos do vírus, responsável por epidemias recorrentes no país. O próximo passo é o envio dos dados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para avaliação regulatória.
A vacina se destaca por exigir apenas uma aplicação, diferentemente de outros imunizantes disponíveis, que requerem duas doses. Segundo os pesquisadores, isso pode facilitar a adesão e ampliar a cobertura vacinal, especialmente em regiões com dificuldade de acesso aos serviços de saúde. O estudo envolveu milhares de voluntários em áreas endêmicas do Brasil, onde a dengue é um problema de saúde pública.
O Butantan já produz no país a vacina contra a influenza e o imunizante contra a raiva, reforçando sua capacidade de desenvolvimento e fabricação local. A expectativa é que, se aprovada, a vacina contra a dengue contribua para reduzir hospitalizações e mortes causadas pela doença, que registrou mais de 6 milhões de casos prováveis em 2023, segundo o Ministério da Saúde.
A Anvisa agora analisará os dados para verificar se atendem aos critérios de segurança e eficácia exigidos. O processo pode levar meses, mas a comunidade científica acompanha com otimismo o avanço de uma ferramenta adicional no combate à dengue, que segue sem tratamento específico.
