Indicadores de atividade econômica sinalizam contração na França e na Alemanha, enquanto Lagarde tenta sustentar a narrativa de expectativas ancoradas
A Zona do Euro vive uma contradição incômoda. De um lado, os índices de gerentes de compras (PMIs) da França e da Alemanha apontam para contração da atividade, com o IFO alemão próximo à mínima de cinco anos, segundo análise do estrategista macro sênior da Rabobank, Teeuwe Mevissen. De outro, as previsões de inflação foram revisadas para cima — uma combinação que estreita o espaço de manobra do Banco Central Europeu.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, buscou conter a preocupação dos mercados ao afirmar, nesta sexta-feira, que as expectativas de inflação de longo prazo permanecem "amplamente bem ancoradas". Lagarde reiterou, no entanto, que a instituição segue "particularmente atenta" aos chamados efeitos de segunda rodada — quando a inflação inicial se propaga para salários e preços de serviços, tornando-se estrutural.
O cenário global acrescenta complexidade. Nos Estados Unidos, a alta nos preços de combustíveis está pressionando para cima as expectativas inflacionárias especialmente entre os consumidores de menor renda, segundo o Investing.com — um indicativo de que a pressão de preços segue assimétrica e socialmente desigual. No México, por outro lado, a inflação da primeira quinzena de maio veio abaixo do esperado: -0,16%, ante consenso de -0,15%.
Para o mercado de câmbio, a combinação de crescimento fraco e inflação persistente na Zona do Euro eleva o risco de estagflação regional — cenário que historicamente penaliza o euro frente ao dólar e fragiliza a credibilidade da política monetária europeia.
